Brasil defende desenvolvimento alternativo para apoiar comunidades afetadas pelas drogas em Viena

Foto: Divulgação/MJSP

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Brasília, 11/03/2025 – A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), promoveu, nesta terça-feira (11), seu primeiro evento na programação da 68ª sessão da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas (CND, siga em inglês). A reunião ocorre na sede do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), em Viena, na Áustria, e segue até sexta-feira (14).

O painel “Desenvolvimento Alternativo: Enfrentando Desigualdades Estruturais Agravadas pelas Políticas de Drogas e Oportunidades para Mudanças Positivas”, organizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), reuniu representantes de diversas organizações internacionais.

A titular da Senad, Marta Machado, destacou que o conceito de desenvolvimento alternativo busca criar alternativas econômicas e sociais viáveis para populações afetadas pela economia das drogas, em territórios marcados por desigualdades sistêmicas, crime organizado e vulnerabilidades sociais.

“As políticas de segurança pública devem fazer a transição da criminalização e da repressão para o investimento em oportunidades e resiliência. A justiça deve estar no centro de todas as reformas das políticas sobre drogas, ou continuaremos a reproduzir os mesmos ciclos de danos e exclusão que afirmamos combater”, disse a secretária.

Abordagem inovadora

Segundo Marta, o Brasil está promovendo uma transformação no desenvolvimento alternativo por meio de uma estratégia inovadora que integra segurança cidadã, justiça racial e social, e oportunidades econômicas. Essa abordagem se materializa no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) Juventude.

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“É um modelo sem precedentes, que aplica os princípios do desenvolvimento alternativo aos ambientes urbanos, reconhecendo que a segurança pública é construída por meio da oportunidade, não da repressão”, ressaltou.

Lições para a comunidade internacional

A secretária destacou que a CND representa uma oportunidade histórica para reformular as políticas globais sobre drogas.“Devemos ir além dos modelos ultrapassados e adotar uma visão em que segurança, desenvolvimento e justiça sejam inseparáveis”, enfatizou.

Ela reafirmou que o Brasil está comprometido em liderar essa mudança e que o Pronasci Juventude pode servir de inspiração para transformações globais.

“O Brasil já está colocando essa visão em prática, mas reconhecemos que a verdadeira mudança exige cooperação global. A comunidade internacional deve investir no desenvolvimento alternativo como uma ferramenta para a redução de danos, justiça econômica e estabilidade social, e não apenas como um mecanismo de redução da oferta”, reforçou.

Pronasci Juventude

A iniciativa tem como foco jovens de 15 a 24 anos em situação de alto risco, especialmente nas periferias urbanas, onde a violência, a desigualdade racial e a marginalização econômica se convergem. O programa já beneficia mais de 4 mil jovens e está em expansão.

O Pronasci Juventude opera em parceria com diversos ministérios, governos locais e organizações da sociedade civil, oferecendo uma estratégia abrangente de segurança e inclusão social. Os participantes recebem apoio financeiro direto para continuar sua educação e capacitação profissional, evitando o ingresso nas economias ilícitas.

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Além disso, o programa fortalece a identidade cultural e a resiliência por meio de parcerias com organizações locais, que promovem atividades artísticas, musicais e esportivas como ferramentas essenciais para o desenvolvimento social.

Eventos paralelos

A Senad tem mais dois eventos paralelos durante a CND, abordando a nova política de drogas do Brasil. Nesta terça-feira (11), ocorreu também o painel “Políticas sobre Drogas e Povos Indígenas: Fortalecendo a Resiliência Comunitária por meio de uma Abordagem Baseada nos Direitos Humanos e Desenvolvimento Alternativo na Região Amazônica”.

Nesta quarta-feira (12), será realizado o evento “Reimaginando Políticas sobre Drogas: a Construção de Políticas Públicas de Redução de Danos em Defesa da Saúde e dos Direitos Humanos”.

Sobre a CND

A CND é o principal organismo das Nações Unidas para formulação de políticas sobre drogas. Além de adotar resoluções globais, a comissão promove discussões sobre a situação mundial das drogas, com eventos paralelos, exposições e reuniões entre gestores públicos, sociedade civil e especialistas. Nesse contexto, os países têm a oportunidade de pautar o debate, apresentar suas políticas nacionais e avançar no fortalecimento e na cooperação internacional.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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